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  • Adriano Gilberti

Poesia?



- Para quê serve a poesia? – Dizem os homens do relógio curto.

- Essas palavras de coisa ou nada que subvertem o conforto da prosa! -

Remendam outros com uma certeza digerida.

Sim, são tão inquietas as letras da poesia. Parecem que nasceram sem o compromisso da profissão. Pois assim é o dicionário somado em idéias. Todas as palavras sabem para o que são como função. Cada uma tem seu diploma.

Mas aí, chega a tal da poesia e subleva toda a cartesiana forma do pensar humano. A poesia então convida as letras para o caminho do andarilho e deixa toda palavra mais pôr-do-sol. Tão comprida quanto à linha do horizonte. Tão esparsa quanto um sonho que se alastra.

Assim, a poesia toma ares de janela e quando se abre o coração para estas palavras inquietas o vento da estranheza sopra a alma. Sentimos que a vida pode plantar bananeiras e, de ponta cabeça, virar o entendimento das coisas. Nada precisa ser o que é, para que o certo seja mais certo ou a visão tenha sempre a velha história do piscar de olhos.

Assim é a poesia: ver com telescópio através de um papel poeta. Sentir todo o universo pela simples confusão das palavras misturadas com intenção. Pois um verso atrevido pode causar a fusão de galáxias. Um verso bem lido pode fabricar água do mar na face de um alguém. E uma palavra, graduada em poema, deixa de ser palavra para ganhar à eternidade de um sentimento, quando uma alma percebe que a maior poesia, não está versada em nanquim, mas escrita com caneta de lirismo quando vemos a vida com um olhar de admiração.

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