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  • Adriano Gilberti

Saudade


A língua portuguesa criou uma palavra para os fracos de coração.

Toda pessoa com certa dose de cardiopatia humanista, tem grande dificuldade de reportar os mais nobres sentimentos quando algo se torna inacessível ou faltoso.

É aquele famoso: nó na garganta. Uma mistura de embolado de pão seco com um vazio abismo difícil de se enxergar o final.

E se a ausência se refere a outro pronome pessoal como Tu, Ele ou Eles, a sensação de um nada recheado de passado se torna mais forte e mais dolorido. Neste momento a cardiopatia é mais intensa. Dói o peito, os olhos lacrimejam, as pernas figuram irresponsáveis e começam a caminhar sem rumo.

O pior é que não adianta se preparar, planejar ou, inocente, tentar proteger-se. A distância entre entes queridos, neste caso, só agrava os efeitos do nada. E quanto mais se pensa, repensa, filma e repassa os melhores momentos de sua vida, mas doído fica.

Assim, nossa Língua mãe, diferente das outras, buscou exclusividade para descrever tudo isso. Uma palavra que simplifica, mas ao mesmo tempo, oferece esperança e conforto.

Sentir saudade é o bastante para saber que o outro tem um grande valor.

Nada de tesouros ou fortunas. Apenas saudade... Esta sim é uma boa palavra para descrever com certa alegria melancólica tudo que um amor pode representar.

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